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sábado, 17 de janeiro de 2015

Prontuário (Anotações de Enfermagem)

A documentação do paciente (prontuário) e os demais documentos inerentes ao processo de cuidados enfermagem (livros de ocorrência, relatórios, etc.) constituem a finalização do processo de cuidar do paciente: trazem maior visibilidade a profissão, permitem o planejamento da assistência, refletem a produtividade da equipe, permitem que sejam feitas estatísticas de atendimento, servem de fonte de consulta para inspeção da auditoria de enfermagem, são provas cabais da jornada de trabalho, e ainda, poderão servir para a defesa ou incriminação de profissionais de saúde.

A Resolução Cofen 358/2009, que dispõe sobre a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e a implementação do Processo de Enfermagem em ambientes, públicos ou privados, em que ocorre o cuidado profissional de enfermagem e dá outras providências. O artigo 6°, da referida Resolução, diz que:

    Ø  Art.6° “A execução do processo de enfermagem deve ser registrada formalmente”.

A Resolução Cofen 311/ 2007, que aprovou a reformulação do Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem-CEPE, diz:

DAS RELAÇÕES COM A PESSOA, FAMILIA E COLETIVIDADE. 
RESPONSABILIDADES E DEVERES

    Ø  Art. 25 ­ Registrar no prontuário do paciente as informações inerentes e indispensáveis ao  processo de cuidar. 
Ø

PROIBIÇÕES

    Ø  Art. 35 ­ Registrar informações parciais e inverídicas sobre a assistência prestada. 
Ø

DAS RELAÇÕES COM OS TRABALHADORES DE  ENFERMAGEM, SAÚDE E OUTROS 
RESPONSABILIDADES E DEVERES

    Ø  Art. 41 ­ Prestar informações, escritas e verbais, completas e fidedignas necessárias para  assegurar a continuidade da assistência. 

PROIBIÇÕES

    Ø  Art. 42 ­ Assinar as ações de enfermagem que não executou, bem como permitir que suas ações sejam assinadas por outro profissional.

DAS RELAÇÕES COM AS ORGANIZAÇÕES EMPREGADORAS 
DIREITOS

    Ø  Art. 68 ­ Registrar no prontuário, e em outros documentos próprios da enfermagem, informações referentes ao processo de cuidar da pessoa. 
Ø

RESPONSABILIDADES E DEVERES

    Ø  Art. 71 ­ Incentivar e criar condições para registrar as informações inerentes e indispensáveis ao  processo de cuidar.
    Ø  Art. 72 ­ Registrar as informações inerentes e indispensáveis ao processo de cuidar de forma  clara, objetiva e completa.




O uso do carimbo é obrigatório?

O Capítulo I, Seção III, Das Relações com as Organizações da Categoria, Responsabilidades e Deveres, artigo 54, do CEPE, prevê que é dever do profissional de enfermagem:

    Ø  Art. 54. Apor o número e categoria de inscrição no Conselho Regional de Enfermagem em assinatura, quando no exercício profissional.

Portanto, nas anotações de enfermagem, seja na evolução, na prescrição, em relatórios ou qualquer documento utilizado quando no exercício profissional, constitui responsabilidade e dever do profissional, apor o número e a categoria de inscrição, conjuntamente a sua assinatura. O uso do carimbo é facultativo, porém, por ser material de baixo custo e cujo uso traz benefício ao profissional, por racionalizar a finalização da anotação de enfermagem, seu uso é indicado.

O Decreto 94.406 /87 que regulamenta a Lei do Exercício dos Profissionais de Enfermagem-LEPE prevê as Anotações de Enfermagem nos Artigos 11, Inciso II e 14, Inciso II.

A Resolução Cofen 191/ 96, dispõe sobre a forma de anotação e o uso do número de inscrição ou da autorização, pelo pessoal de enfermagem, no entanto, a Resolução Cofen 372/ 2010 estabeleceu novos parâmetros sobre o uso do número de inscrição e siglas das categorias profissionais de Enfermagem. Em seu artigo 4°consta: Enfermeiros-ENF; Técnicos de Enfermagem-TEC; Auxiliares de Enfermagem-AUX; Parteira-PAR, os quais deverão ser apostos após o número de inscrição, nas anotações de enfermagem.

Recentemente foi aprovada e homologada a Resolução Cofen 429/ 2012, que dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente, e em outros documentos próprios da Enfermagem, independente do meio de suporte- Tradicional ou Eletrônico. O artigo 1°, assevera que:

    Ø  Art.1° É responsabilidade e dever dos profissionais de enfermagem registrar, no prontuário do paciente e em outros documentos próprios da área, seja em meio de suporte tradicional (papel) ou eletrônico, as informações inerentes ao processo de cuidar e ao gerenciamento de processos de trabalho, necessários para assegurar a continuidade e a qualidade da assistência.

Portanto, diante da ampla legislação sobre o registro e anotações das atividades de enfermagem, ocorrências e intercorrências, os referidos registros se fazem necessários em qualquer área da assistência de enfermagem. Atentando-se para o fato de que os registros dos atendimentos e/ou cuidados de enfermagem, devem ser realizados no prontuário, folha de evolução ou folha de atendimento do paciente e que as ocorrências e intercorrências referentes a equipe, devem ser registrados no livro de relatório de enfermagem, acessível e privativo da equipe de enfermagem.




Fonte: http://www.cofen.gov.br/

domingo, 28 de dezembro de 2014

Projeto estimula contato e aproxima pais e bebês após UTI


"Hospital carioca usa ataduras e iniciativa “canguru” para aproximar os pais de recém-nascidos que estiveram na UTI"

       Depois de nove meses de espera, o momento mais aguardado para os pais é aquele no qual eles podem conhecer o rosto de seus filhos, tocar e entrar em contato com aquela criança que esteve protegida na barriga da mãe durante toda a gestação. Para muitos pais, esse é o momento no qual começa a se criar o vínculo com o recém-nascido. Para outros, a experiência acaba sendo adiada.
Algumas crianças precisam de cuidados especiais logo depois que nascem. Seja por problemas de saúde, no parto, na gestação. Para se recuperarem e irem bem para casa, alguns bebês precisam passar um tempo pela UTI do hospital. E nesse momento, não é possível um contato muito próximo com os pais. Por problemas no parto, o filho de Carlos Vinícius da Silva, Heitor, precisou ir para a UTI Neonatal do Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, logo após o nascimento.



      Ainda na incubadora, Carlos foi incentivado pela enfermeira a ter mais contato com o filho. “Só pude tocá-lo com a incubadora. Ela dizia que era importante. Eu não acreditava muito que faria diferença para ele tão pequenininho, mas eu notava que cada dia que eu passava lá, ele melhorava um pouco”, afirma. Quando o filho foi transferido para a Unidade Intermediária, Carlos foi convidado a participar de um projeto especial do hospital: o Pai Canguru. Com isso, passou a fazer mais visitas ao hospital e ter um contato maior com o neném.
       O Pai Canguru consiste em um contato pele a pele entre o recém-nascido e o pai. Por pelo menos 15 minutos diários, os dois ficam próximos, unidos com ataduras, e recuperam o “tempo perdido” pelo afastamento da UTI. “É muito emocionante, chorei igual criança”, relembra Carlos sobre o primeiro dia da aproximação. “Não parece que é muita coisa, mas a criança sente. Ela responde aos estímulos. Eu acariciava, tocava nele, conversava com ele e falava ‘vai ficar tudo certo!’ e ele respondia com um sorriso”, completa.

       A coordenadora da UTI e UI do Hospital Estadual Rocha Faria, Angelica Svaiter, diz que um dos objetivos do projeto é “fazer uma família”. Com um número maior de partos de adolescentes, ela acha importante aproximar o pai de todo o processo e passar para a mãe o sentimento de amparo. “O Ministério da Saúde preconiza sempre o vínculo afetivo entre mãe e filho, e faz um tempo que a gente vem preconizando a família. Como a cada dia mais temos partos de gestantes adolescentes, e as meninas ficam sozinhas, a gente conseguiu agregar o pai. A gente faz uma família”, explica. Mas o processo é importante para as mães de todas as idades, não apenas para as mais jovens. “A mãe se sente apoiada e o pai passa a vivenciar o momento. E quando você começa a fazer essa integração dentro de uma unidade hospitalar, já se cria o vínculo”, completa. Segundo Svaiter, com o projeto, o bebê apresenta uma evolução melhor, uma recuperação mais rápida e o ganho de peso é mais notado. Pai participante da iniciativa, Carlos concorda. “Você vê melhora no seu filho. Quando você vai pegá-lo de novo, sente que ele está melhor. Ele te olha com mais confiança, sabe que vai ficar tudo bem”, se emociona. 
     Para participar do Pai Canguru, os bebês precisam apresentar boas condições de saúde. Não podem estar em uso de oxigênio ou punção venosa, apenas com acesso venoso de tratamento. A criança precisa também estar sendo alimentada pela via oral e sem distúrbios respiratórios. Inicialmente o contato é feito por 15 minutos, mas esse tempo pode aumentar para meia hora e ser intercalado com a mãe. É preciso ver a reação da criança e quanto tempo ela suporta. O trabalho é realizado e acompanhado de perto pela equipe multidisciplinar do hospital, e acontece desde o segundo semestre de 2013. Há 15 dias no projeto, Carlos já fica com o filho inclusive para acalmá-lo antes da amamentação, com o apoio da mãe, que precisou passar um tempo no CTI logo após o parto. “É uma gratificação muito grande”, afirma. Segundo a coordenadora da UTI, o pai se sente acolhido pelo projeto e é um “ganho familiar”.

      Pai de uma menina, Cecília, o paranaense André Freitas não teve o mesmo contato com a filha após o nascimento. Por alguns problemas de saúde, Cecília precisou passar um tempo na UTI após o parto, em um hospital do Paraná, e Freitas reclama da falta de acesso à filha e informações sobre o estado da criança. “O período que ela ficou na UTI foi triste, e também pode-se dizer revoltante. Não sabíamos de quase nada. A aproximação praticamente não existiu. Se não me engano, podíamos ver ela uma vez por dia, praticamente sem contato”, relembra. Freitas reclama da falta de informação e de humanização do momento da filha, e acredita que projetos como o Pai Canguru podem ajudar a fortalecer o vínculo. “Se tivesse a oportunidade, participaria”, afirma.
    Angelica Svaiter aposta no valor que a humanização do parto e dos momentos que se seguem podem trazer à vida da criança. “Eu faço UTI há 24 anos, neste mesmo serviço. Você vê diferentes evoluções. Mas a gente sente que quando essa criança tem o apoio familiar, o desenvolvimento dela, o metabolismo é acelerado. Não é um trabalho de literatura, é um trabalho de observação. E nessas observações você vê que as crianças evoluem”, diz.

     O hospital fica em uma área da zona oeste do Rio de Janeiro que atende famílias com menor poder aquisitivo. Segundo a profissional, a humanização da gestação e do parto dá mais suporte para as famílias de baixa renda, que se sentem mais acolhidas. Os pais são convidados a participarem na hora do parto, quando este é normal, e podem ficar com as mães no alojamento conjunto. “É um projeto pequenininho, começando. Mas se cada um de nós fizer um pouquinho, a população fica mais bem assistida. São muitas doenças por falta de apoio e carinho”, afirma Svaiter. 


Fonte: http://vidaeestilo.terra.com.br