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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Usuário, cliente ou paciente??




Um estudo realizado em janeiro de 2013, na Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, teve como objetivo identificar qual termo mais utilizado pelos estudantes de enfermagem quanto a forma de se dirigir aos pacientes. Usuário, cliente ou paciente qual termo mais adequado??

As pessoas que acorrem aos serviços de saúde são, usualmente, designadas por estes três termos. Cada um tem sua especificidade e não se trata apenas de questão semântica, pois as denominações propiciam e induzem diferentes maneiras de olhar e compreender os objetos nomeados, ou como construímos a realidade.

A relação profissional conota a ideia de que o paciente é sobretudo um cliente, ou seja, um usuário, um comprador de serviços, qualquer que seja o contexto em que é atendido. Portanto, não há consenso nas concepções dos termos cliente, paciente e usuário nas relações da pessoa que utiliza o serviço de saúde e o profissional da área.

Dessa forma, é preciso atenção no uso das expressões, sendo necessário pontuar algumas diferenças, já que os três termos têm raízes diversas, ainda que usados como sinônimos. O termo paciente começou a ser utilizado no século XIV e está relacionado com a pessoa que tem paciência, sereno, conformado.

A maioria dos profissionais considera o não envolvimento emocional como uma maneira de cuidar de si, ou seja, quanto mais próxima a relação paciente-enfermeiro, mais propício o profissional está para compartilhar os sentimentos com o paciente. Além da ideia do termo paciente sugerir uma relação mais íntima, este também é o termo universalmente mais utilizado.

Entretanto, a sua utilização pode sugerir implicitamente uma posição passiva e hierarquicamente inferior em relação ao profissional, visto que a origem do termo refere-se à palavra sofredor, derivada do latim: patiens, depatior, que significa sofrer.

Já o termo cliente procede do vocabulário próprio da economia liberal de mercado. Marca o "exercício liberal" e/ou privado da atenção à saúde, implicando à pessoa que acorre aos serviços de saúde, em certa medida, o caráter de consumidor, e à saúde, a característica de um bem de consumo, não de direito social.

O usuário é cada um daqueles que usam ou desfrutam de alguma coisa coletiva, ligada a um serviço público ou particular. Assim, pode-se compreender o termo usuário como mais amplo, capaz de ultrapassar o ideário passivo ou liberal, que percebe a saúde como um bem de consumo regulado pelas leis de mercado, no sentido de avançar para uma concepção de saúde enquanto direito humano e social, regulado pelas relações de cidadania.

Porém é claro que a utilização de um destes termos não elimina o uso dos demais. Diariamente, vivencia-se, nos serviços de saúde, a mescla dos três sem que os profissionais se deem conta do que representam, como se complementam ou se contrapõem.

Todavia, na assistência à saúde, deve-se problematizar, de maneira contextualizada, a relação estabelecida com as pessoas que procuram os serviços, de modo a usar o conhecimento para o bem social, com justiça e cuidado. A Bioética implica a construção conjunta, de maneira deliberativa, de uma sabedoria prática. Assim, permite ampliar o discernimento da realidade por meio do confronto dialogado dos fatos e dos valores envolvidos nas relações com o usuário-cliente-paciente.

Por isso, compreender o uso dos termos pode ser uma ferramenta para refletir sobre o cuidado, especialmente se essa reflexão iniciar durante a graduação, uma vez que os estudantes serão os futuros profissionais a utilizarem esses termos na prática.

Desse modo, devido à possibilidade do uso dos três termos, questiona-se: qual o termo mais utilizado pelos estudantes de enfermagem e qual a compreensão do coletivo dos estudantes sobre os termos? Para responder a essas perguntas, o presente estudo objetivou identificar qual o termo mais comumente usado pelos estudantes de enfermagem da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo(EEUSP) e também conhecer a compreensão destes estudantes quanto ao uso dos termos usuário, cliente e paciente.

RESULTADOS

A coleta de dados foi realizada no segundo semestre do ano de 2010, quando foram abordados 215 alunos da Graduação da EE/USP. Sendo eles do 1º ao 4º ano.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O termo mais usado pelos acadêmicos foi usuário, todavia, indiferentemente do termo a ser empregado na prática do cuidado, é importante ressaltar que os conceitos comuns de respeito à autonomia e serviço de saúde como um direito devem ser considerados. Da mesma forma, a relação desumana e a passividade devem ser deixadas de fora na relação dialógica que se pretende estabelecer entre os profissionais de saúde e o usuário-cliente-paciente.


Se você quiser er o Artigo completo acesse em:

domingo, 28 de dezembro de 2014

Projeto estimula contato e aproxima pais e bebês após UTI


"Hospital carioca usa ataduras e iniciativa “canguru” para aproximar os pais de recém-nascidos que estiveram na UTI"

       Depois de nove meses de espera, o momento mais aguardado para os pais é aquele no qual eles podem conhecer o rosto de seus filhos, tocar e entrar em contato com aquela criança que esteve protegida na barriga da mãe durante toda a gestação. Para muitos pais, esse é o momento no qual começa a se criar o vínculo com o recém-nascido. Para outros, a experiência acaba sendo adiada.
Algumas crianças precisam de cuidados especiais logo depois que nascem. Seja por problemas de saúde, no parto, na gestação. Para se recuperarem e irem bem para casa, alguns bebês precisam passar um tempo pela UTI do hospital. E nesse momento, não é possível um contato muito próximo com os pais. Por problemas no parto, o filho de Carlos Vinícius da Silva, Heitor, precisou ir para a UTI Neonatal do Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, no Rio de Janeiro, logo após o nascimento.



      Ainda na incubadora, Carlos foi incentivado pela enfermeira a ter mais contato com o filho. “Só pude tocá-lo com a incubadora. Ela dizia que era importante. Eu não acreditava muito que faria diferença para ele tão pequenininho, mas eu notava que cada dia que eu passava lá, ele melhorava um pouco”, afirma. Quando o filho foi transferido para a Unidade Intermediária, Carlos foi convidado a participar de um projeto especial do hospital: o Pai Canguru. Com isso, passou a fazer mais visitas ao hospital e ter um contato maior com o neném.
       O Pai Canguru consiste em um contato pele a pele entre o recém-nascido e o pai. Por pelo menos 15 minutos diários, os dois ficam próximos, unidos com ataduras, e recuperam o “tempo perdido” pelo afastamento da UTI. “É muito emocionante, chorei igual criança”, relembra Carlos sobre o primeiro dia da aproximação. “Não parece que é muita coisa, mas a criança sente. Ela responde aos estímulos. Eu acariciava, tocava nele, conversava com ele e falava ‘vai ficar tudo certo!’ e ele respondia com um sorriso”, completa.

       A coordenadora da UTI e UI do Hospital Estadual Rocha Faria, Angelica Svaiter, diz que um dos objetivos do projeto é “fazer uma família”. Com um número maior de partos de adolescentes, ela acha importante aproximar o pai de todo o processo e passar para a mãe o sentimento de amparo. “O Ministério da Saúde preconiza sempre o vínculo afetivo entre mãe e filho, e faz um tempo que a gente vem preconizando a família. Como a cada dia mais temos partos de gestantes adolescentes, e as meninas ficam sozinhas, a gente conseguiu agregar o pai. A gente faz uma família”, explica. Mas o processo é importante para as mães de todas as idades, não apenas para as mais jovens. “A mãe se sente apoiada e o pai passa a vivenciar o momento. E quando você começa a fazer essa integração dentro de uma unidade hospitalar, já se cria o vínculo”, completa. Segundo Svaiter, com o projeto, o bebê apresenta uma evolução melhor, uma recuperação mais rápida e o ganho de peso é mais notado. Pai participante da iniciativa, Carlos concorda. “Você vê melhora no seu filho. Quando você vai pegá-lo de novo, sente que ele está melhor. Ele te olha com mais confiança, sabe que vai ficar tudo bem”, se emociona. 
     Para participar do Pai Canguru, os bebês precisam apresentar boas condições de saúde. Não podem estar em uso de oxigênio ou punção venosa, apenas com acesso venoso de tratamento. A criança precisa também estar sendo alimentada pela via oral e sem distúrbios respiratórios. Inicialmente o contato é feito por 15 minutos, mas esse tempo pode aumentar para meia hora e ser intercalado com a mãe. É preciso ver a reação da criança e quanto tempo ela suporta. O trabalho é realizado e acompanhado de perto pela equipe multidisciplinar do hospital, e acontece desde o segundo semestre de 2013. Há 15 dias no projeto, Carlos já fica com o filho inclusive para acalmá-lo antes da amamentação, com o apoio da mãe, que precisou passar um tempo no CTI logo após o parto. “É uma gratificação muito grande”, afirma. Segundo a coordenadora da UTI, o pai se sente acolhido pelo projeto e é um “ganho familiar”.

      Pai de uma menina, Cecília, o paranaense André Freitas não teve o mesmo contato com a filha após o nascimento. Por alguns problemas de saúde, Cecília precisou passar um tempo na UTI após o parto, em um hospital do Paraná, e Freitas reclama da falta de acesso à filha e informações sobre o estado da criança. “O período que ela ficou na UTI foi triste, e também pode-se dizer revoltante. Não sabíamos de quase nada. A aproximação praticamente não existiu. Se não me engano, podíamos ver ela uma vez por dia, praticamente sem contato”, relembra. Freitas reclama da falta de informação e de humanização do momento da filha, e acredita que projetos como o Pai Canguru podem ajudar a fortalecer o vínculo. “Se tivesse a oportunidade, participaria”, afirma.
    Angelica Svaiter aposta no valor que a humanização do parto e dos momentos que se seguem podem trazer à vida da criança. “Eu faço UTI há 24 anos, neste mesmo serviço. Você vê diferentes evoluções. Mas a gente sente que quando essa criança tem o apoio familiar, o desenvolvimento dela, o metabolismo é acelerado. Não é um trabalho de literatura, é um trabalho de observação. E nessas observações você vê que as crianças evoluem”, diz.

     O hospital fica em uma área da zona oeste do Rio de Janeiro que atende famílias com menor poder aquisitivo. Segundo a profissional, a humanização da gestação e do parto dá mais suporte para as famílias de baixa renda, que se sentem mais acolhidas. Os pais são convidados a participarem na hora do parto, quando este é normal, e podem ficar com as mães no alojamento conjunto. “É um projeto pequenininho, começando. Mas se cada um de nós fizer um pouquinho, a população fica mais bem assistida. São muitas doenças por falta de apoio e carinho”, afirma Svaiter. 


Fonte: http://vidaeestilo.terra.com.br